Com um balanço ainda provisório, a Greve já revela uma forte expressão em toda a empresa.
A Greve Geral convocada pelo STML para toda a EGEAC está a demonstrar, de forma clara, a profunda insatisfação dos trabalhadores e a urgência de respostas reais aos seus problemas, expetativas e reivindicações. Quem trabalha todos os dias para garantir a cultura desta cidade está cansado de promessas vazias, salários curtos e falta de respeito.
Durante a manhã, a Greve fez-se sentir em praticamente todos os locais de trabalho da EGEAC. Destacam-se as elevadas adesões no Teatro Romano (70%), no Cinema São Jorge (50%) e no Teatro do Bairro Alto (76%), com o cancelamento do espetáculo previsto. Registou-se igualmente o encerramento do Palácio Pimenta, da Casa dos Bicos, das Galerias Municipais, do Serviço de Conservação e Restauro de Azulejos, da Casa Fernando Pessoa, do Museu da Marioneta, do Museu do Aljube, do LU.CA e do Pavilhão Julião Sarmento.
A Greve teve também impacto no Castelo de São Jorge, onde a bilheteira esteve encerrada no período da manhã, no Atelier Júlio Pomar e no Museu Bordalo Pinheiro. O STML fará um balanço final no término do dia.
Saudamos igualmente a grande participação dos trabalhadores na concentração realizada na Praça do Município, onde foi aprovada por unanimidade e aclamação uma Resolução posteriormente entregue nos Paços do Concelho, recebida pelo assessor do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Paulo Correia.
Nessa Resolução, os trabalhadores exigem ao Conselho de Administração da EGEAC que:
i. Respeite o Acordo de Empresa em vigor, assumindo um verdadeiro processo negocial com o STML sobre a valorização salarial anual;
ii. Assuma com seriedade a proposta dos trabalhadores de 15% com um aumento mínimo de 150€ por trabalhador;
iii. Resolva todos os processos de reclassificação pendentes, além dos processos de reposicionamento salarial por categoriais profissionais, respeitando em todo o momento o fator antiguidade;
iv. Adote uma interpretação mais favorável do Acordo de Empresa, nomeadamente sobre a aplicação da jornada contínua;
v. Respeite o direito à conciliação com a vida pessoal e familiar na definição dos horários de trabalho;
vi. Ponha termo as todas as práticas consubstanciadas por assédio laboral;
vii. Assuma com transparência os fundamentos sobre mudanças de direção e gestão de equipamentos, esclarecendo qual as prioridades para o futuro sobre projetos e atividades, bem como das funções atribuídas às respetivas equipas e trabalhadores;
viii. Avalie com parcimónia a possibilidade de a empresa passar a ter serviços próprios de Saúde e Segurança no Trabalho.
Porque a vida está mais cara todos os meses. Porque a renda sobe. Porque o supermercado pesa cada vez mais. Porque os combustíveis aumentam. Porque quem trabalha merece tempo para viver.
Se a Administração continuar a desrespeitar os trabalhadores da EGEAC, responderemos com mais união, mais mobilização e mais luta, ao lado do nosso Sindicato, o STML.
O espírito de Abril vive na luta pelos nossos direitos. Hoje estamos em greve. Amanhã continuamos organizados. E depois de amanhã também.
Exigimos respeito pelas nossas condições de vida. Só assim se defende um verdadeiro serviço público de cultura ao serviço da cidade e da população de Lisboa.
A luta continua.
