Aos trabalhadores da EGEAC

Sobre a atribuição do Passe Navegante

O Conselho de Administração comunicou no dia 27 de maio a atribuição do Passe Navegante a todos os trabalhadores da empresa, a partir de julho. Esta é uma medida positiva, há muito defendida e proposta pelo STML, e que voltou a ser colocada em cima da mesa na reunião com o CA de 14 de abril.

Num momento em que o custo de vida continua a apertar com rendas incomportáveis, supermercados cada vez mais caros, contas que aumentam todos os meses e salários que não acompanham a realidade, o acesso ao passe representa um apoio importante para muitos trabalhadores que todos os dias fazem contas para chegar ao fim do mês.

Importa também recordar que a adesão ao programa Navegante Empresas traz benefícios fiscais para as entidades patronais. Ou seja, trata-se de uma medida importante para os trabalhadores, mas que também representa vantagens para a própria empresa. Ainda assim, foi necessária pressão, persistência e luta coletiva para que esta decisão avançasse.

Ainda falta perceber se o passe atribuído será municipal ou metropolitano, mas há uma conclusão que já ninguém consegue esconder: esta decisão surge depois da grande greve de 24 de abril e da pressão construída pelos trabalhadores ao longo dos últimos anos.

Mais do que um gesto isolado, esta decisão mostra que quando os trabalhadores se unem e lutam, conseguem resultados. Mas também sabemos que o essencial continua por resolver.

A principal razão da luta dos trabalhadores da EGEAC mantém-se: salários dignos e melhores condições de trabalho. E a verdade é que com esta Administração os salários continuam sem uma valorização real.

Quem trabalha na EGEAC conhece bem esta realidade. Conhece os horários desregulados, o desgaste acumulado, a falta de respostas, a pressão constante e a sensação de que se exige sempre mais a quem já faz muito todos os dias para manter os equipamentos culturais da cidade a funcionar.

Por isso, continuamos a exigir respostas concretas:

  • aumento intercalar dos salários de 15%, com um mínimo de 150€;
  • respeito pelo Acordo de Empresa;
  • respostas eficazes na medicina do trabalho;
  • reclassificações e reposicionamentos salariais com salvaguarda da antiguidade;
  • maior transparência nas decisões internas;
  • atribuição e aplicação correta da jornada contínua;
  • combate ao assédio laboral;
  • melhoria das condições de trabalho;
  • fim da desregulação dos horários de trabalho.

Também não esquecemos a situação dos assistentes de bilheteira. A antecipação da progressão é positiva para os trabalhadores abrangidos, mas é insuficiente perante a realidade que se vive. Um aumento de 32,30€ (subida do escalão 4.1 para o 4.2) não resolve o problema de fundo nem acompanha o aumento brutal do custo de vida. Quem trabalha todos os dias, muitas vezes com salários baixos e vínculos precários, precisa de muito mais do que pequenos ajustamentos para conseguir viver com dignidade.

É por isso que a luta continua.

Porque ninguém conhece melhor a realidade da EGEAC do que quem cá trabalha. E porque nenhuma mudança verdadeira acontece sem organização, solidariedade e participação coletiva.

O STML solicitou nova reunião ao CA no início de maio e continua sem resposta. Perante isso, as ações de protesto irão continuar durante o mês de junho, em moldes que serão divulgados em breve.

No imediato, relembramos a importância da Greve Geral de 3 de junho. Será mais um momento para afirmar que quem trabalha não pode continuar a ser tratado como um custo enquanto vê a sua vida ficar mais difícil de mês para mês. Um momento ímpar de afirmação dos trabalhadores sobre o rumo que não querem para as suas vidas e um sinal bem claro aos que nos desgovernam a vida e o trabalho na cidade que é nossa, Lisboa!

Lutar vale a pena porque lutar é defender a nossa vida, o nosso tempo e a nossa dignidade. Contamos contigo. Contamos com todos. No dia 3 de junho, todos ao Rossio, a partir das 14h30.

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